evão do caminhão

nos momentos cruciais... estacione seus neurônios e acelere seus hormônios

domingo, abril 02, 2006

E NÃO ME ESQUECER, AO COMEÇAR O TRABALHO DE ME PREPARAR PARA ERRAR

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Puxei pela memória, mas não foi possível me lembrar. Não restou nenhuma lembrança do meu processo de alfabetização na escola. Resolvi apelar: - Mãe, preciso fazer uma atividade pro curso, mas não lembro. Afinal, como me alfabetizei? Ela disse então que foi no pré, com as atividades que as tias davam em folhas avulsas.

O interessante foi notar que lembrava de muitas coisas mais legais que as lições da escola. Lembrei do nome de vários amigos, de quase todas as professoras, das festas, dos namoradinhos, do cheiro do material... e o mais interessante: lembrei da mulher do Círculo do Livro que vivia sentada no sofá aqui de casa.

Não foi à toa que questionei minha mãe sobre minha alfabetização. Na verdade acho que a culpa foi toda dela. Em casa até hoje muitas vezes não temos espaço para guardar a roupa ou os mantimentos, mas os livros estão sempre em lugares confortáveis, quatro armários só para eles. Um dia tentei catalogá-los, mas foi impossível.

Voltemos à Dona Sílvia (a do Círculo). Semanalmente ela vinha com seu catálogo e pelo menos um livro seria adquirido por nós a cada visita. Eu e meus irmãos nos tornamos devoradores de livros. Acho que isso foi fundamental em nossa formação acadêmica e na vida em si. Um dia fui elogiada pelo professor de matemática que disse: - Ela só vai bem em matemática porque sabe ler e interpretar os problemas. Ufa!

Dessas poucas lembranças que aqui escrevo, deixo registrado o pensamento que norteia meu trabalho como alfabetizadora:

1. mais do que ensinar lições chatas, devemos ensinar que a escola é um lugar de relações. E, sendo assim, que sejam BOAS as relações estabelecidas. A mim, melhor pensar que meu aluno é um companheiro leal embora ainda não saiba ler do que um egoísta leitor.

2. não basta saber ler e escrever, é preciso gostar de ler. È preciso ter o que escrever. E como faremos isso se ensinamos coisas sem sentido para as crianças, se não lemos coisas interessantes para elas, se não lemos coisas interessantes para nós mesmos, se tratamos de eliminar todo resquício de criatividade que existe nelas?

Vou terminando por aqui, porque estou com dois livros em andamento e ainda preciso acabar de ler as memórias das colegas de curso!

(lição de casa)
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