evão do caminhão

nos momentos cruciais... estacione seus neurônios e acelere seus hormônios

sexta-feira, janeiro 23, 2009

ACEITEI SUAS ORDENS COMO A ESPOSA SUBMISSA QUE NUNCA FUI


Queria falar sobre a condição feminina no mundo contemporâneo, mas fica pra outro dia. Hoje quero falar de 2 garotinhas de 11 anos.

A) Evinha

Evinha nunca gostou das coisas 'de meninas.' Talvez por ter dois irmãos caçulas e soubesse que deveria defendê-los em qualquer situação, talvez porque para ficar com eles precisasse entrar nas suas brincadeiras ou talvez porque as brincadeiras 'de meninos' sempre foram mais legais.
Nunca lhe foi dada uma camisa de time, nem ensinamentos sobre eletricidade e coisas de carro.

Mas ela tinha sapatos especiais. Nunca teve ímpetos de parecer com Cinderela, pelo contrário, quando os calçava sentia-se heroína, capaz de enfrentar tudo e todos. Eles eram de verniz preto, lacinhos mutáveis de acordo com a roupa e tinha uma ponteira de prata no bico. Ao mesmo tempo que era um objeto para embelezar, servia também como instrumento de defesa, pronto a acertar a canela de alguém em caso de urgência.

O dia em que seus super-poderes mais seriam úteis foi num desses bailinhos de garagem em que Evinha estava sendo preterida pelos gêmeos da turma da escola. Seu coração batia forte igualmente pela paixão dos dois. Chegou radiante e eufórica na festa. Nada de ruim poderia acontecer a ela, afinal usava seus sapatos mágicos.

Acontece que no meio do caminho tinha uma pedra, ou melhor, um degrau. Evinha estabanada e acelerada como costumava ser, tropeçou e caiu. Na frente de todo mundo, na entrada da festa, geral rindo dela. Mas o pior ainda estava por vir. Ao olhar para os pezinhos, Evinha notou que uma das ponteiras prateadas estava terrivelmente danificada, algo irremediável. Solitária, então, sentou no degrau assassino e chorou. Chorou a perda de uma grande paixão.

Sobre os outros assuntos do coração... sim, Evinha dançou com eles, com os dois... na mesma intensidade do amor infantil. Mas nem Renato, nem Ricardo foram capazes de remendar o coração partido, causado pela perda do melhor sapato que já passou por sua vida.


B) Bea Mar

Bea Mar tem três madrinhas. Uma delas, desde seu nascimento fez um livro, contando todas as passagens importantes de sua vida. Quando andou, quando largou a chupeta, comentários inteligentes e coisas emocionantes do cotidiano.

Acontece que quando Bea Mar fez 11 anos, sua dinda não sabia o que lhe comprar de presente, afinal ela não estava tão presente assim na vida da afilhada (perdoem o trocadilho). O que comprar pra alguém na passagem da infância pra adolescência? Alguém que acaba de virar mulher (literalmente, uff)?

A tal dinda saiu à caça de algo útil e divertido. Pra variar achou a resposta em um livro: "O livro das garotas audaciosas". Ele funciona num misto de guia dos curiosos, com enciclopédia e manual de sobrevivência.

Muito interessante, ensina desde como amarrar o cabelo com um lápis até jogar pôquer, passando por como ler as linhas das mãos e como usar ferramentas.

Dinda satisfeita, sabendo que Bea Mar terá oportunidade de buscar novos conhecimentos, além dos que ela já possui e é estimulada pela mãe a ir atrás. Acontece que dinda tem uma má notícia a transmitir: o livro não é original, ele é baseado em outro, "O livro perigoso para garotos". Novamente pensaram neles primeiro, mas deixa estar...

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