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quinta-feira, abril 07, 2011

A VIDA É TÃO PASSAGEIRA, TÃO FRÁGIL. TODA RESPIRAÇÃO PODE SER A ÚLTIMA

Depois de um longo e tenebroso verão eu voltei, voltei para ficar!

Assunto do dia: o ex-aluno que matou uma caralhada de criança na escola

Não quero fazer mais um muro das lamentações narrando as dificuldades da profissão, mas exaltar (de novo) a capacidade, o incrível 'dom' de REMENDAR, TAPAR BURACOS, IMPROVISAR, SE VIRAR, INTUIR SOLUÇÕES das professorinhas que sempre sugerem a falsa sensação de que tudo é feliz e possível. Hoje, por exemplo, tinha paralisação e ninguém falou no assunto. Todo mundo continuou na sua rotina dramática e diária. Nem posso culpar ninguém depois que o caro Claudio Fonseca entregou de bandeja nossa última grande greve.

Não quero teorizar nada, pretendo apenas contar pequenas coisinhas que os 'populares 'de modo geral desconhecem e se a gente que é pombo não fala, quem vai falar?

Digo isso porque em breve alguém vai acusar uma professora no caso da chacina. Certamente vão culpá-la por ter causado algum trauma no infeliz ou foi omissa com que os outros alunos faziam com ele, gerando essa revolta na vida adulta do indivíduo. O problema é que a gente sempre fala. A gente fala demais, mas ninguém ouve. Então a gente cala e aguenta.

Ponto 1 - INCLUSÃO - Tudo junto e misturado

Se tem uma coisa que a escola pública domina e faz com eficiência é misturar todo mundo. Dentro das salas de aula temos uma população que possui várias características.

Nesses grupos estão contidos: piolhentos, ranhentos, autistas, gagos, banguelas, bolivianos, afeminados, surdos, cegos, apáticos, hiperativos, entediados, depressivos, órfãos, superdotados, ricos, pobres, falidos, disléxicos, negros, brancos, amarelos, albinos, ruivos, carecas, cabeludos, cadeirantes, hidrocefálicos, moças bonitas e até condenados nós temos.

São tantas as 'minorias' que assim não nos parece. O bom mesmo é garantir sua especificidade.

Na sala dos professores não é raro ouvir que "os 'normais' é que estão ficando excluídos". Como não acredito em NORMALIDADE acho boa essa miscelânea. Porém continuo insistindo que precisamos de vários tipos de apoio (fica prum próximo post!).

Agora temos recebido um gigantesco número de SOCIOPATAS. Não sei definir o grande aumento de nascimento dessas pessoas, mas considero o caso crítico, a inclusão mais difícil de realizar, pois eles não sentem nada, aparentemente não tem nada a perder, nenhuma estratégia funciona com eles. Tudo é muito temporário. E a angústia que essa impotência gera não cabe no peito.

Ponto 2 - SOCIOPATAS - "nenhum sentido faz sentido"

Esqueçam meu lado hipocondríaco que sempre acha sintomas em qualquer reportagem ou lançamento no mercado farmacêutico.

Depois de ler a sequência sobre serial killers da Ilana Casoy botei reparo no tanto de casos narrados cujos sujeitos tinham dado indícios na escola. Fiquei em choque ao detectar que possíveis casos estariam mais próximos do que eu supunha e passei a me sentir responsável por uma melhor observação e conduta.

Passamos 6 horas diárias com essas crianças e notamos indícios que muitas vezes nem a família percebe, afinal, na escola a criança tem o primeiro contato com a convivência coletiva. Temos por dever avisar quando algo nos parece que não está caminhando bem, mas como disse lá em cima, não somos ouvidas.

Então seguramos os pequenos em nossos braços até que se acalmem e mostramos o que há de belo dentro deles. E somos muitas vezes o único ponto de referência positiva. Mas é difícil para eles nos dividirem com os outros da multidão dos demais alunos. Muitas vezes tentando ajudar damos início à surtos inenarráveis nesse espaço.

Mas e quando eles crescem? Não há mais muita gente disposta a segurá-los no colo. Que futuro os aguarda? Fiquei chocada com as mortes inocentes de hoje. Muito triste pelos coitados que foram assassinados, mas também pelo coitado que assassinou.

Talvez se ele tivesse alguém para tê-lo amparado...

Ponto 3 - FÉRIAS - "Dê valor à sua realidade, pois um dia ela pode ser seu maior sonho"

Gran finale

O governo e a prefeitura pretendem brevemente tirar as férias escolares coletivas. Se já está tudo tão difícil imagina sem um descanso?

Não precisa ser grande estudioso pra saber que todo cérebro muito utilizado acaba travando. Imagina crianças em formação, em que todo dia aprendem muitas coisas... Imagina os profissionais da educação que não são panela, mas trabalham sob pressão o tempo todo...

E onde fica o contato com a família? Os passeios, o tempo livre junto? A transmissão de valores e carinho?

Qual a possibilidade de acontecer novamente o que rolou no RJ hoje? Eu aposto numa grande chance!


(ainda tem mais coisa pra vomitar, mas por hj cansei)


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1 Comments:

  • At 7:43 PM, Anonymous Anônimo said…

    Que bom ler esse desebafo, ver o outro lado da tragédia, parece-me sempre um caminho para tentarmos evitar que elas aconteçam.
    Hoje meus alunos da tarde estavam com medo, minha sala fica em frente a porta de saída da escola, vários pais passam por lá perguntando onde é a secretaria, ninguém podia aparecer que as crianças assustados pediam para deixar a porta fechada.
    E a culpa é de quem?
    Até quando?
    Somos já entupidas de responsabilidades, burocracias, papeladas, cobranças...só nos falta agora sermos condenadas por todas as tragédias da péssima escola pública...uma professora brincando hoje disse:"cuidado com o que você fala, ele pode crescer e depois querer te matar!". Infelizmente, diariamente, muitas tragédias aconcetecem, vários ex-alunos, assaltam, matam, sequestram,violentam...tudo fruto da escola, da sociedade, da falta de família,da ausência do cuidado que você tão bem falou...depois eles saem para a vida já adultos como verdadeiras bombas-relógio.

    Que bom que você voltou! Seus textos, ideias, perguntas, colocações...fazem muitas vezes o cabeção parar, pensar, ver de outras formas...

    Bem que você falou que eu preciso ter um outro blogger para desabafar.

    Isso é tudo.

    Um beijo,

    Bê maria

     

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