evão do caminhão

nos momentos cruciais... estacione seus neurônios e acelere seus hormônios

sábado, janeiro 25, 2014

SE VOCÊ QUER MANTER LIMPA A SUA CIDADE, COMECE VARRENDO DIANTE DE SUA CASA

Soneto Sentimental à cidade de São Paulo
(Vinicius de Moraes)

Ó cidade tão lírica e tão fria! 
Mercenária, que importa - basta! - importa 
Que à noite, quando te repousas morta 
Lenta e cruel te envolve uma agonia 

Não te amo à luz plácida do dia 
Amo-te quando a neblina te transporta 
Nesse momento, amante, abres-me a porta 
E eu te possuo nua e frígida. 

Sinto como a tua íris fosforeja 
Entre um poema, um riso e uma cerveja 
E que mal há se o lar onde se espera 

Traz saudade de alguma Baviera 
Se a poesia é tua, e em cada mesa 
Há um pecador morrendo de beleza?


Soneto Nada Sentimental à Cidade de São Paulo 
(Reinaldo)


Xenofobia travestida em tuas ruas
Te desvarias noite e dia em cores cruas
Viste o descaso com que os rasos governantes
Sopras as velas das mazelas, mas se chove


Contra destinos, nordestinos, diferentes
Te torna exposta e sem resposta te insinuas
Mas não te cegas, nem renegas estas gentes
Nos desatinos que aos sem tino faz doentes

Mas não te cansas - sempre avanças, não recuas... 
Segues sem culpas, sem desculpas, sempre em frente
Abarrotaram, asfaltaram as tuas veias

Mas inda anseias que elas fluam como dantes...
Neste Janeiro (o derradeiro?) em ruas cheias
Quem não flutua e quem não voa não se move. 


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