evão do caminhão

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quarta-feira, outubro 27, 2010

FIRMEI PACTO DE SANGUE: SEMPRE AVISAR QUEM ESTÁ COM OS DENTES SUJOS

Ganhei o livro "Mulher perdigueira" depois de ver uma entrevista com o Fabrício Carpinejar na TV. Não conhecia o autor, mas me agradou a ideia dele defender as mulheres ciumentas. Comecei animada a leitura, mas tô empacada já tem uns 4 meses e isso é uma eternidade considerando a finura no livro. Talvez seja porque coloquei outros 2 como prioridade ou porque o livro é meio chatinho mesmo.

Bom, apesar dos textos não serem tão atraentes, há um sem número de citações divertidas pra alguém que ama 'frases de efeito' no estilo parachoque de caminhão (aaaaaloooooooooou), portanto elas aparecerão aqui vez ou outra.

Na verdade observei uma cena no almoço de sábado e ele fez uma interessante descrição sobre o jeito dos casais sentarem à mesa que adaptarei (ao meu interesse, claro!).

Estava batendo a maior feijuca com o japa num pico bem legal chamado Fazendinha. Tudo bem que feijoada não é o melhor prato prum momento romântico, graças aos feijões nos dentes e pior... os gases. Mas tudo bem, combina perfeitamente com cerveja que é o que importa.

Junte a isso um dia chuvoso e uma mesa ao ar livre; clima familiar, ou seja, muitas crianças correndo em volta da sua mesa (grrrrrrrrr); e um véio bêbado fazendo cocô de portas abertas na único banheiro feminino depois que você está pingando porque esperou até o último segundo pra fazer xixi.

Enquanto curtia os sabores observava um casal abraçadinho, porém mudo. Duas coisas me passaram na cabeça: 1. tenho pavor de um dia terminar em silêncio à mesa e 2. como é o 'jeito certo' de sentar com o namorado?

Eu sempre gostei de sentar de frente, não sei se de lado dá dor no pescoço, ou se não escuto porque preciso fazer leitura labial, ou simplesmente porque gosto de olhar nos olhos, mas ao mesmo tempo também sempre considerei uma falta de romantismo da minha parte deixar a distância da mesa entre o amado.

Aí entra o Carpinejar pra me absolver:

"Os que ladeiam a montaria das cadeiras não infundem paixão. São mais amigos do que amantes. Quase irmãos: mudos, telepáticos. Repartem igual perspectiva da paisagem. Não há concentração no rosto da companhia.

Me incomoda a falta de provocação frontal, do desafio dos gestos, dos avanços das pernas debaixo da toalha. "Retratam o casaço no ônibus de passageiros voltando do trabalho."

Bom, por enquanto, japa e eu estamos indo bem já que até banho de cerveja levei porque o italiano se empolgou com as mãos no meio da conversa.

Quero sim continuar quebrando copos, sujando mais o lado da mesa, desarrumando a toalha. "Quero empurrar o mal-estar e os arranjos para não perder a permanente perseguição das pupilas".

"Por um instante, breve e memorável instante, a mesa conhece a vastidão da cama."

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