evão do caminhão

nos momentos cruciais... estacione seus neurônios e acelere seus hormônios

quarta-feira, janeiro 31, 2018

TODOS OS DIAS QUANDO ACORDO NÃO TENHO MAIS O TEMPO QUE PASSOU, MAS TENHO MUITO TEMPO...

Dia desses um colega perguntou se eu não sairia mais em viagens malucas estilo mochileira. Fiquei um tempo refletindo e constatei que não preciso ir muito longe pra viver aventuras. Não culparei o Plutão na casa 8, mas algumas vezes essas peripécias envolvem mistérios, morte e transformação. Quer exemplo maior do que quando vimos um tubarão comer a tartaruga em pleno Projeto Tamar? Improvável, não? Mas necessário! Rotina alimentar dos animais e esquema de visitas provavelmente foram alterados por lá. 

Pois aconteceu de novo. Conseguimos alugar um sítio maravilhoso entre as cidades dos membros da família (4 estavam ralando no trabalho!) para que todos pudéssemos estar juntos nos festejos de fim de ano. Porém, no meio do caminho apareceu... UMA COBRA. Sim! Uma cascavel com 8 anéis. Que encontrou minha mãe passando. Foi inoculado o veneno por furinhos ridiculamente pequenos, mas os estragos quando ele entrou na corrente sanguínea foram rápidos e devastadores.

Levamos a Lila para a Santa Casa de Itatiba que ficava a 15 minutos de distância, mas infelizmente o doutor Bruno não acreditou quando falamos que era picada de cobra e deu um "draminzinho". O fato prejudicou muito nosso socorro, pois além de não ter aplicado o antiofídico imediatamente como deveria, deixou minha mãe meio "bagunçadinha das ideias" e um tanto sonolenta. 

Para quem não sabe, o veneno da cascavel altera a enzima CK que atua no metabolismo dos músculos do corpo. Não vou entrar em detalhes pra não correr o risco de escrever besteira, mas de modo didático seria causada uma dor muscular intensa, como uma fadiga por ter corrido três maratonas na sequência e depois um amolecimento dos músculos. Aí vem a lembrança: coração também é músculo! Fodeu! E os rins filtrando todo esse veneno? Fodeu de novo! E o doutor Bruno que só pediu um hemograma depois de muita insistência e sumiu? E o resultado que não saía nunca? Era madrugada, época de feriado... Fodeu mais uma vez!

Três trocas de médicos plantonistas depois, nove horas após ter dado entrada no hospital, três hemogramas para acompanhar e a tal CK que deveria ficar abaixo de 1.000 e estava quase em 40.000. Fodeu! Fodeu! Fodeu!

Estava acompanhada no celular pelos irmãos, cunhadas, Japa e sobrinhos.

Mas ao lado da maca eu estava sozinha e vi minha Lila morrer. Ela foi "derretendo" na minha frente. Eu de mãos atadas. Sem poder agir por conta própria e sem saber rezar. Sem fé suficiente diante do desespero, ofereci meu corpo em sacrifício: seis meses sem cerveja (EVOÉ!). E acionei meus anjos da guarda: tia e amigas que têm fé e amor suficiente para torcer pelo bem dos outros. Pessoas com crenças diferentes e que fizeram uma enorme corrente de pensamentos positivos.

Quando meu irmão médico chegou e fez cara de pânico eu fiquei sem saber o que pensar. Acho que, na verdade, já não pensava. Estava 24 horas acordada e 12 em estado de tensão. Ele e sua companheira de vida conseguiram uma UTI móvel e partimos para a UNICAMP. Sirene ligada. Alta velocidade. A vida por um fio.

Entramos no PS que parecia a filial do purgatório. A levaram tão rapidamente que nem deu tempo de me despedir. Felizmente há excelentes médicos na rede pública. Nem todos são Brunos. Há uns tipos de Daniel também. Ele e sua equipe trouxeram minha mãe de volta. 

A mordida foi dia 27 e quatro dias de UTI mais tarde, nos últimos momentos do ano de Hades, mais uma de suas filhas teve alta e renasceu como Fênix num lindo pôr do sol. Ele, astro maior, que se escondeu durante todo esse período voltou para brincar. Acabaram os dias nublados. Ele fez como nós que saímos das trevas para a claridade.  Vivenciamos de fato o espírito natalino na família e a possibilidade de um ano realmente novo. 

"É somente em face da morte que a personalidade do homem nasce."

Doutor Bruno, espero que sua mãe nunca precise de um tratamento sério de saúde, mas caso ela necessite que encontre pessoas mais responsáveis do que você. Médicos e enfermeiros da UNICAMP, obrigada por tudo. Fiquei alguns dias com vocês e notei que a atenção que deram para minha mãe se estendeu a todos os pacientes. Que vocês sejam sempre ricos em saúde! Dona do sítio, fique atenta para não colocar em risco sua família, seus funcionários e seus futuros hóspedes.

"Se houvesse um caminho para o melhor ele obrigaria a olhar inteiramente para o pior."


Talvez um dia essa seja só uma história para recordar e rir. Agora ainda dói. Continuamos indo em várias consultas médicas para acompanhar os órgãos danificados. Com frequência temos ataque de choro e raiva. Dá tristeza. Dá angústia. E parece que a imagem da cobra consegue aparecer pelo menos uma vez por dia na nossa frente em jogos, livros, tv... Até o barulho do perfume que espirra no banheiro lembra o som da cascavel e assusta. 

A Oroboro na mitologia é uma serpente que engole a própria cauda formando um círculo que simboliza o ciclo da vida, o infinito, a mudança, o tempo, a evolução, a fecundação, o nascimento, a morte, a ressurreição, a criação, a destruição e a renovação.

Se por um lado o desgaste emocional, físico (pobre calcanhar do Japa) e até mesmo financeiro para nós ficou abalado, talvez a sorte esteja mudando. Minha cunhada até ganhou a quadra da mega sena  da virada com o bilhete que a Seuli sempre nos dá de presente. Foi uma tragédia/milagre que precisava acontecer para repensarmos coisas e atitudes. Melhor remédio que tomou? Segurar o neto  no colo. O fim e o início.

Agora que a Lila virou uma X-Men, com seu pezinho de casca de cobra, seguiremos descobrindo novos sabores, melhores formas de cuidar do corpo e vamos recuperar os músculos imitando movimentos reptilianos no Tai Chi Chuan. Quiçá viraremos frequentes jogadoras do bicho. É vida que segue...

"Se o passado foi ontem
Amanhã o futuro virá
Se eu for falar de tristeza
O meu tempo não dá."

O que eu desejo pra 2018? Saúde! Saúde! Saúde! Pra todos.

P.S. Reveillon 2018 na Avenida Paulista, cercada de cimento por todos os lados!

(Texto guardado por 1 mês. E ainda não está fácil falar sobre o assunto. Aproveitando o dia movimentado no céu com super Lua e eclipse para exorcizar emoções.)












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quarta-feira, junho 19, 2013

DEBAIXO D'ÁGUA PROTEGIDO SALVO FORA DE PERIGO ALIVIADO SEM PERDÃO SEM PECADO SEM MEDO SEM VONTADE DE VOLTAR

Desde que acharam uns bagulhos estranhos no meu corpo (não, não tô falando do espírito e nem da mente estranhos), comecei a pensar na morte como algo concreto; uma possibilidade nem tão remota e não tão distante de acontecer. 

Quando peguei os exames chorei 4 horas ininterruptas e depois voltei ao lado prático (e dramático) do lance. Morrer sim, pero sin perder lo dramallon mexicano jamás (hablo mucho portuñol).

Lembrei então de como foi bizarro e confortante ao mesmo tempo achar tantos textos no estilo despedida no computador do Janjão. Acho que eu assim interpretei porque não tive a oportunidade de dizer adeus. 

Já decidi que vou enfrentar até as últimas forças o que quer que venha pela frente, mas em todo caso, meu lance escoteiro sempre alerta quis adiantar o expediente. 

Deixo aqui o meu "epílogo" como uma singela homenagem ao Janjones e que possa servir como roteiro funerário prático aos que ficarem. 

1. No velório não quero flores. Gostaria que passassem meu perfume azul e me cobrissem com um cobertorzinho. Ah, e que me vestissem com a camisa tricolor (a furada no sovaco, obviamente).

2. Quero que me cremem e me joguem no mar. Pode ser qualquer praia do Atlântico. Mais do que nunca "da água eu vim, na água vivi e pra água quero voltar".

3. Na descida do caixão queria ouvir "Goodbye" do Air Supply e no mar pode ser "Tears of the dragon" do Bruce Dickinson.

Se no futuro alguém encontrar meus inúmeros cadernos de frases e citações vai saber que eu parti, mas vivi intensamente e morri sem saber colocar em palavras a imensidão que carreguei na alma e por isso usei tanto as frases dos outros. Na grandeza do mar, do céu ou do inferno acho que terei mais espaço. Espero!


P.S. O dia 19 de junho nunca mais foi o mesmo depois da partida ele.  

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terça-feira, janeiro 22, 2013

A PERGUNTA É: POR QUE LEMBRAMOS O PASSADO E NÃO O FUTURO?

A ideia de dirigir até Valinhos depois de um fim de semana em ritmo de maratona não me agradou. Ainda mais pra ir em um velório de alguém que nunca tinha visto na vida.

Porém, quem acha que velório é só um dia triste nunca passou por um da minha família. Acho que as pessoas ficam guardando piadas especiais para essas ocasiões.

Ninguém nunca faz esforço para uma visita social, então aproveitam essas datas pra falar merda, muita merda. 

Vou voltar... minha bisavó era uma sinhazinha fazendeira de Valinhos, mas o que ela fez? Se apaixonou pelo cocheiro e optou por viver o grande amor completamente pobre. Meus avós poderiam ter se estabelecido  muito bem em qualquer cidade vizinha, mas não... resolveram virar operários aqui nessa porra de Guarulhos (!!!!). Desde então a família ficou separada em dois guetos: "os de lá" e "os de cá".

"Os de lá" recebiam a sobrinhada toda para os períodos de férias e "os de cá" eram os guias turísticos para compras no Mappin, jogos no Pacaembu, visitas ao Parque São Jorge e festas de reveillon com São Silvestre. Com o passar dos anos ninguém mais se viu, um telefonema ou outro no dia do aniversário e olha lá.

Eu não conhecia ninguém, mas ao mesmo tempo senti um tufão de nostalgia. Pareceu como se a história só se repetisse 70 anos depois.

Um dia, a psicóloga da escola que eu trabalhava me chamou e deu um puta esporro porque eu dava apelido para todos os alunos. O que pra ela era ofensa, pra mim sempre foi prova de carinho. Se você não tem apelido, é porque não é especial. Pelo jeito isso vem de gerações. Ninguém de Valinhos tem nome, só apelido. E o lance é tão arraigado que quando eu perguntava o nome original da pessoa ninguém lembrava pra me dizer.

E palavrão? Desde pequena eu escuto umas expressões que eram um tipo de pecado mortal. Eram eles (por ordem de infâmia): 1º. Porco cane, 2º. Porca de la madona e 3º. Porco dio. Nunca mais tinha escutado, mas ontem enquanto metade da família chorava a defunta a outra metade chegava gritando PORCO CANE, QUANTO TEMPO! PORCA DE LA MADONA, QUANDO VOCÊS VÊM VISITAR A GENTE?...

Devo ter uns roxos no braço de tanto que a italianada me apertou. 

No domingo eu encontrei meu caçulinha, meu FINHO e apesar dele estar todo fardado cuidando da segurança do estádio dei uns beijinhos e fiquei acarinhando. Minha vó fez igual com o caçulinha dela, o INHO. Ela com 90, ele com 79, mas caçulinha não tem idade pra chamegar! Eles podem errar muito, mas sempre são perdoados.

Também gostei de ver que esses meus zóios cor mutante são iguaizinhos os dos irmãos da vó. 

Sei que eu tava com medo da véia vó passar mal com a notícia da morte da irmã, mas no fim ela ficou tão feliz em reencontrar com os vivos "de lá" que a viagem valeu a pena. Agora fiquei com a certeza que ela vai passar dos 100. Niemeyer vai ser fichinha... a véia vai bater seu record de vecchiaia...



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sábado, dezembro 08, 2012

A MAIOR DOR DO SER HUMANO É SE LEMBRAR DO FUTURO. ESPECIALMENTE DO QUE SABE QUE NÃO VAI TER

Hoje a Véia Vó faz 90 anos. Isso é ano pra caraio!!! Penso o tanto de lembranças, alegrias, tristezas, conquistas que passam pela cabeça dela enquanto senta na cadeirinha da garagem e faz seus crochês. Aliás, quem vê essa cena nem imagina que há 3 anos atrás ela teve um AVC. Também penso que deve ser bem esquisito ver todos os seus irmãos, amigos e pessoas mais jovens partirem dessa pra uma melhor antes dela.

Eu poderia descrever seu lado nerd, sua figa zica futebolista, suas infinitas exigências de mimos, as intrigas entre as 4 filhas, as bebedeiras ou ainda os cômicos ataques de pedrinhas no bar quando meu vô demorava pra voltar pra casa, mas falarei de seu incrível dom para o plantio.

Ela morre de amor pelo celularzinho, pela poncheira, pelas fotos... mas principalmente por SEU JARDIM.

Sinceramente nunca entendi essa relação tão especial de amor, orgulho e comunismo que a véia tem com suas ervas, rosas, árvores, flores, trevos... A vizinhança inteira passa por lá pra fazer a feira (e eu ganho uma rosa todo fim de semana).

Um dia eu li no livro "Cuide bem da mamãe":

"Nunca vira mamãe plantar algo que fosse para apreciar e não para colher e comer. Quando perguntei porque plantava tão perto do muro respondeu que era para que as pessoas do lado de fora pudessem apreciá-las também. Toda primavera, as rosas desabrochavam por completo. As pessoas que passavam pela rua durante a estação das rosas paravam junto do muro para sentir o perfume delas, exatamente como mamãe desejara. Depois da chuva, pétalas das rosas vermelhas se espalhavam por todos os lados, caindo ao pé do muro."


Pra alguém que carrega a Itália no DNA, que plantou algodão e fez de sua colheita o sustento da família, nada mais justo que FIXAR SEU LUGAR NA TERRA, com beleza, colorido e perfume para que todos possam notar sua presença e compartilhar sua alegria.

E mais... não à toa os velhos perguntam quando querem saber nossa idade: "quantas primaveras?". Nossa vida, assim como toda a natureza percorre ciclos e a melhor estação pra descrever esse encantamento é a Primavera. O renascer em broto de tudo o que é belo e todos os seres vivos se reconstruindo.

90 primaveras, Véia! Que você possa começar mais um pedaço de vida com sabedoria, saúde e futebol.
Ah, e água... muita água , mas que pode ser substituída por cerveja ou caipirinha!




A vida precisa de um botão "reiniciar"...

Ou não!


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quinta-feira, novembro 08, 2012

VOCÊ AINDA IRÁ PRECISAR DE MIM QUANDO EU ESTIVER COM SESSENTA E QUATRO?


"Eu nuca te contei
 Como eu tenho medo do escuro
 Eu também nunca te contei
 O quanto eu me importo contigo
 Mas você sabe, não mãe?
 Você sempre sabe de tudo, minha mãe.

Não me deixe sozinho na multidão
Não encontrarei o caminho de casa
Não me mande para longe
Para onde você não vai se lembrar de mim
Eu sou assim tão ruim, mãe?
Sou tão ruim, minha mãe?

Às vezes quando papai me lança alto pelos ares
Meus olhos te procuram
Esperando que você venha me pegar em segurança.

Não conte a ele, mas morro de medo
Eu não demonstro,
Mas meu coração se afunda
Você sabe de tudo, não mãe?
Você sabe de tudo, minha mãe."




Diz a astrologia que tenho uma relação de simbiose com a minha mãe.
Então, se eu chegar aos 64 com a disposição dela, estarei satisfeita!

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domingo, agosto 12, 2012

PAPAI ERA UM TRANSATLÂNTICO. QUANDO AFUNDOU LEVOU MUITA GENTE.




"Nem todo mundo sabe que quando um navio afunda funciona como um ralo de pia, puxando tudo o que está em volta dele para baixo."

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sexta-feira, agosto 10, 2012

OS AFORTUNADOS SÓ PERCEBEM O QUE SÃO QUANDO A SORTE JÁ PASSOU




ACHADOS E PERDIDOS


  • Um namorado romântico
  • Dois irmãos caçulas
  • Três mosqueteiras

Não se sabe exatamente o momento nem o local da estrada da vida em que os itens caíram da caçamba.

Quem encontrar, favor devolver no endereço:

Rua da Saudade, nº 2.012.

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sábado, maio 12, 2012

O AMOR É A GENTE PROCURANDO A GENTE

* generatividade = desenvolvimento de interesses altruísticos em relação a outras pessoas, especialmente às da nova geração.

"Querer bem o próprio filho é, obviamente, o exemplo mais comum de generatividade. Porém, sacrificar-se pelos filhos não é, necessariamente, uma qualidade altruísta. 

Uma mãe pode privar-se de muitas coisas em favor dos filhos, mas é possível que, por trás desse aparente altruísmo, estejam ocultos outros motivos como, por exemplo, o desejo de vê-los brilhar para orgulho dos pais.

Como no caso da serpente mágica, o altruísmo pode assumir muitas formas, incluindo egocentrismo sob um novo disfarce. 

Realmente, muitos pais chegam a uma noção bem mais profunda de generatividade quando têm netos porque, como avós, estão menos envolvidos nos sucessos e fracassos das crianças.

A generatividade, portanto, não consiste em meramente criar e educar uma pessoa, mas no motivo que está por trás desse gesto. É sobretudo a habilidade de transcender os próprios desejos e necessidades.

O altruísmo não beneficia apenas seu filho, mas toda a sociedade."

( trecho do livro... E foram felizes para sempre - Contos de fadas para adultos)



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sexta-feira, outubro 07, 2011

EU SOU O DONO E SENHOR DE MEU DESTINO. EU SOU O COMANDANTE DE MINHA ALMA.

Semana passada fiz o teste pra saber qual era meu complexo. Obviamente deu CASTRAÇÃO. Eu não precisava da associação de palavras pra saber, mas de todo jeito foi legal ter a constatação.

Em segundo lugar, com apenas alguns décimos de diferença ficou complexo PATERNO.




Voltemos à castração. Leiam um trecho da definição e vejam se fui só eu que me identifiquei:

"Significa o ato de redução do potencial de vida independente e de realização autônoma. A mãe castradora impede praticamente a emancipação normal dos filhos, conseguindo mantê-los no estado de infância e dependência, por medo de perdê-los, ou por uma forma de amor envolvente e asfixiante. Fala-se da mãe-piolho."

"O indivíduo afetado por esse complexo sente dificuldade em afirmar-se nas diversas situações de vida: em relação ao outro sexo, em parceiros sociais ou profissionais, em relação às autoridades sociais e em todas as situações em que tem de expressar-se, defender-se, afirmar-se e impor-se."


O bom é que nem sempre é tarde pra se conhecer melhor e aprender lidar com algumas coisas.



P.S. Ontem, uma mini reunião familiar recheada de saudosismo e hoje esse horóscopo:

"Pressentimentos, evocações da infância, lembrança de causas do passado, que embalaram sonhos e desejos. Tudo se mistura e inspira. É como respirar ar puro e leve. É libertador e resgata sentidos."

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segunda-feira, setembro 19, 2011

FIZ ESTA CARTA MAIS LONGA PORQUE NÃO TIVE TEMPO DE FAZÊ-LA CURTA


Quarta-feira passada peguei a Folha de São Paulo pra dar uma passada d'olhos rapidim na hora do almoço e qual foi minha "grata" surpresa ao ler na manchete MEC QUER ALUNO MAIS TEMPO NA SALA DE AULA.

Apareceram então 3 propostas:
  • aumentar de 200 para 220 dias letivos
  • aumentar o número de horas na escola com ensino integral
  • combo - mais dias letivos e mais horas na escola
Fiquei chocada, mas sei que nada disso é novidade e que provavelmente ficarão com a opção número 3.

O problema foi quando continuei lendo a parte interna do caderno na qual o senhor Hélio Schwartsman desqualificou geral os professores da escola pública nacional. Minha indigestão veio mesmo no último parágrafo: "A proposta de Haddad de ampliar a carga horária faz sentido. Mas faria ainda mais se fosse acompanhada de medidas com vistas a utilizar melhor o tempo de que o professor já dispõe e desperdiça."

Gente, na minha opinião essa fala é, no mínimo, contraditória. Se o sujeito (que nunca deve ter pisado numa escola pública nem como aluno, nem como pai e muito menos como jornalista) diz que desperdiçamos o tempo, não seria o caso de REDUZI-LO?

Se ficar na escola não está dando resultado satisfatório nas provinhas do governo, preciso repensar a ideia de uma bolsa pras mães ficarem com os filhos em casa um tempo maior (devia ter votado na Marina! http://twitpic.com/2th8pw kkkkkkkkkk)

Bom, de duas uma: ou eu perco tempo na minha profissão ou perdi 10 preciosos minutos do meu almoço lendo essa tragédia de reportagem.


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terça-feira, dezembro 28, 2010

ESSA GERAÇÃO DO MEIO QUE SE AMAMENTOU NO SEIO DA VIDA É A MAIS COMPROMETIDA QUE FORAM INVENTAR

Tenho a honra de conviver com os homens mais inteligentes do cosmos. Mas como é época de desejar coisas para 2011, aí vai...

Lelus e Finho... vejam quantos "1" terá ano que vem. Portanto, não quero nada de 5ª ou 7ª colocação nos concursos que fizerem. O topo é o único lugar que será aceito!

Japito... dois pedidos pra tu:




Apareça mais na escola. Em 2010 as crianças tiveram certeza que eu namorava o Marlos.








Caso encontre uma coruja DE VERDADE diga essas palavras pra eu não confundir com uma estátua novamente.





No mais, continuem ótimos como já são.

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domingo, dezembro 19, 2010

MAS A ALMA ADIVINHA O PREÇO QUE COBRAM DA GENTE

Aniversário da cunhada comemorado com puta show do Roupa Nova em Jundiaí.

Há muitos anos queria levar a Lila num show deles, mas sempre os esquemas eram ruins: caros, longe, em lugares sem ventilação...

Eis que surge o convite do Popô pra irmos assistir o tal show no Parque na Uva.

Putalamerda... eu sempre exalto a eficiência atrelada à simplicidade. Show do Roupa Nova em Jundiaí foi o típico exemplo disso. Duas horas de cantoria... só os clássicos comemorando os 30 anos do sexteto.

Era muita alegria num só coraçãozinho!

Não há palavras pra descrever muito bem, puro sentimento...

Além de todos os hits deles ainda voltam no bis com os clássicos da gringa.

Pra coroar a noite houve um mix dos dois melhores shows do ano: ROUPA NOVA e GUNS (não esqueci o Bon Jovi, só não vou citar pq não cantaram!) com direito a serpentina vermelha e tudo...

Ah, além de não estar tão cheio, o ingresso custava 25 lulas! VINTE E CINCO!

Simplesmente I.N.E.S.Q.U.E.C.Í.V.E.L.



show do roupa nova é puta coisa de bambi do caraio!

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segunda-feira, dezembro 13, 2010

NÃO HÁ CAMINHO PARA A FELICIDADE. A FELICIDADE É O CAMINHO

Era uma vez, num tempo não tão distante, um reino muuuuuito longe (duas horas de busão e metrô ), mas bastante feliz. Lá havia uma Floresta Encantada que foi confiada a uma Fada Má, que era grande, com voz de trovão. Quando ela falava, todos os seres minúsculos da floresta se calavam. Acontece que de malvada ela só tinha o nome. Seus olhos de estrela acreditavam em todos os seres viventes que passavam por ela e algumas vezes chegou a ser picada por Cobras ou enganada por Camaleões que se disfarçavam conforme o ambiente e a necessidade.


Para esses momentos de dificuldade a Fada Má contava com uma duendezinha bem pequenina, que bagunçava muito, não parava de se mexer, saltitando pra lá e pra cá provocando todos os bichos e até as árvores paradas. Apesar de ser aprontona, a Duende de cabelo prateado crescia instantaneamente para defender sua floresta e todos os animais que faziam o bem.


As duas se completavam. Quando uma estava triste a outra trazia uma palavra de conforto, se a outra se mostrava desanimada a uma colocava uma música bem animada. Quando as duas estavam chateadas, paravam debaixo de um pé de chocolate com paçoca e se esbaldavam até acalmar os espíritos.


Certo dia a Fada Má resolveu fazer uma grande festa para celebrar a evolução das sementinhas e convidou todos os animais da Floresta e até mesmo seus familiares mais distantes. Todo mundo se animou e passaram meses organizando a festança.


As coisas iam muito bem, com músicas, cores e alegria.


Até que uma misteriosa Sombra Escura se abateu sobre o reino. A Floresta inteira entristeceu, as flores murcharam, a música se calou, as roupas coloridas tornaram-se invisíveis e a luz se foi.


Tudo seria destruído rapidamente, se não houvesse dentro da Floresta, os animais mais leais do universo. Formiguinhas que apesar do pouco tamanho, ficavam gigantes cada vez que se uniam e fizeram o trabalho render dias e dias a fio. E por falar em fio, havia uma Aranha que não parecia ter apenas 8 mãos e sim 18, pois ficou até de madrugada tecendo suas teias para substituir as roupas desaparecidas.


No meio da bagunça pela reorganização a MacaCa bailarina quebrou a perna e até os parasitas da espécie Coordenarum Chatus resolveram incomodar.


Mas ainda havia um casal de Corujas que com seus grandes olhos filmavam toda a preparação da festa, mas que na hora necessária abriram suas asas para acolher e acalmar todos os animais aflitos.


A Sombra se dissipou momentaneamente e a festa começou. Quando todos os bichos dançavam e cantavam, sem nem sequer lembrar da tristeza recém passada, a Sombra se aproveitou e atacou novamente. Sorte que na natureza nada acontece ao acaso. Até o Passarinho, responsável pelo som e o Vaga-lume, responsável pela iluminação conseguiram atuar rapidamente e ajudar a salvar a festa.


Quem pintou novamente a linda festa? Foi a mão da natureza? Não! Foram muitas mãos que se uniram e quanto mais forte a Sombra soprava, mais as mãos a empurravam, expulsando-a da Floresta. O bem finalmente triunfou e a festa foi a mais bela que o reino já teve. O esforço foi reconhecido por todos os convidados, que emocionados aplaudiam e pediam ‘de novo, de novo’.


E todos viveram felizes para sempre, mas temporariamente sonolentos. Ah... e para esses seres iluminados o trabalho e a união são e SEMPRE serão as armas em punho caso a Sombra resolva voltar. Que ela saiba disso antes de tentar invadir a FLORESTA ENCANTADA novamente.


Fim.


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segunda-feira, novembro 08, 2010

TENHO UM LEQUE DE RUGAS FINAS EM TORNO DOS OLHOS, COMO CICATRIZES TÊNUES DOS RISOS E DOS PRANTOS DO PASSADO

Tem uma fase da vida em que nos tornamos mães das nossas mães.

1. A vida toda ela me levou pra escola e hoje sou eu quem fico com o carro, a levo até o ponto de ônibus vendo-a pelo retrovisor entrar cheia de sacola com seu uniforme verdinho...torcendo pra que ela chegue bem depois de 2 horas de estrada...

"Com a mochila da escola na mão, ela sai de casa de manhã cedo
Acenando adeus com um sorriso distraído
Eu a vejo partir com uma onda daquela bem conhecida tristeza
E eu tenho que me sentar um pouco
O sentimento de que eu a estou perdendo para sempre
E sem realmente entrar em seu mundo
Fico feliz todas as vezes que posso compartilhar de sua risada
Essa menininha engraçada..."

Me corta todo o dia o coração, vê-la com seu cabelinho branco, mas me enche de orgulho saber que ela ainda tem muito trabalho pra render e muita coisa pra ensinar!

2. É difícil ter uma mãe muito ativa, porque você nem percebe quando ela tá precisando parar um pouquinho, chorar um pouquinho no seu ombro e às vezes o EU AMO VOCÊ fica sem ser dito.

"Escorregando pelos meus dedos todo o tempo
Eu tento capturar cada minuto
O sentimento nisso
Escorregando pelos meus dedos todo o tempo
Eu realmente vejo o que está na mente dela?
Cada vez que eu penso que eu estou perto de saber
Ela continua crescendo
Escorregando por entre meus dedos todo o tempo..."


3. Temos o eterno problema do fuso horário: ela fica bem de manhã e eu melhor à noite. Muitas vezes não nos encontramos no nosso sobradinho, mas resolvemos nosso problema de um jeito só nosso: ela leva meu café na cama, tolerando meus eternos MAIS 5 MINUTINHOS e eu fico aqui no computador ACOMPANHANDO SEU SONO no sofá

"Sono em nossos olhos , ela e eu na mesa do café
Meio acordada, eu deixo tempo precioso passar
Então quando ela se vai tem aquele ocasional sentimento melancólico
E um sentimento de culpa que eu não posso negar
O que aconteceu às aventuras maravilhosas?
Os lugares que eu tinha planejado para nós irmos
(escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
Bem, algumas delas nós fizemos, mas a maioria não
E o porquê eu simplesmente não sei"

4. Hoje é aniversário da Dona Lila...

Estamos lendo juntas todos os livros da Isabel Allende, pois ninguém descreve melhor os amores e as crises internas das famílias. Lila humilha, lembra todas as personagens, a sequência de fatos e sabe todos os vocábulos difíceis que eu pergunto.

"Às vezes eu queria poder congelar a imagem
E salvá-la dos engraçados truques do tempo!"


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quarta-feira, maio 05, 2010

O CÚMULO DA CONFIANÇA É JOGAR PAR OU ÍMPAR POR TELEFONE

Ontem foi um dia que tinha tudo pra dar merda, mas teve final feliz.

Passeio na escola. Me largaram com 40 crianças pra cuidar. Total momento de tensão. Odeio essa responsabilidade extra além do 'pouco' que já temos. No fim foi bem legal. Recomendo a peça "As aventuras de Gulliver" no SESC Santana.

Ida ao Morumbi, com Popô... e de MOTO! Cagaço TOTAL. Mas foi uma alegria. Graças ao excelente piloto conseguimos: fugir do trânsito, chegar cedo, pagar estacionamento mais barato, ver o pôr do sol... e ainda... fazer comitiva tricolor no corredor da marginal até o estádio. Fiquei tão tranquila que quase tirei um cochilo na estrada (ah vá...).

O jogo em si. Bando de zica do caralho. Inferno de gente que fica só falando mal... incentiva quem tá bem, cáspita (Marlos, te amo). Quase tretamos na arquibancada. Juíz ladrão da porra e 532 bolas no travessão. Como diriam os caras da Band... sofrimento porque era UNIVERSITÁRIO imagina se já fosse formado. kkkkkkkkk Pra colaborar... cobrança de pênaltis. Até tentei ver, mas depois do gol que o Rogério perdeu, voltei a fechar os olhos. Estava lá, mas não vi nadica de nada (ah vá - parte 2); o Popô me guiou na comemoração também. Mais uma parte com alegria no final. Tamo tipo alcóolicos anônimos... 1 jogo de cada vez. Tô achando ruim não.

Ah, e um salve pros caras do Habbib´s que desencanaram de vender pra ficar na torcida e ainda dividiram o banza bom com os truta tudo.



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quarta-feira, dezembro 09, 2009

TUDO EM TI ERA UMA AUSÊNCIA QUE SE DEMORAVA: UMA DESPEDIDA PRONTA A CUMPRIR-SE.

Ontem foi aniversário de 87 anos de vida da minha vó. E hoje é o velório do vô do Japito.


Dois iguais diferentes ou dois diferentes iguais?


- uma ‘nona’ e um ‘ditian’.


- os dois vaidosos, sempre com os cabelos impecavelmente arrumados.


- uma com enormes olhos azuis que dizemos ser de coruja, pois enxergam melhor que muito jovem; o outro com olhinhos pequenos, mas que não deixavam de enxergar tudo ao seu redor com total sabedoria e crítica.


- poderiam ser amigos se um não gostasse tanto do silêncio da pescaria e a outra de falar alto e pelos cotovelos.


- enquanto uma é corinthiana roxa e alucinada; o outro ficava roxo de raiva de ver a camisa alvinegra.


- os dois poderiam observar o mundo ser destruído diante da tela da TV.


- um desistiu da vida depois que perdeu sua filha caçula e não viu mais motivos para celebrar muitas coisas e a outra lutou contra o recente derrame e comemorou a vida com um ar de saudosismo, relembrando sua infância e os seus que já partiram.


Ambos ensinaram o valor do trabalho aos seus descendentes. Afinal por que um imigrante japonês e uma imigrante italiana construiriam aqui suas famílias? Não foi pelo trabalho que tudo começou?


Agora cá estou eu, afundada em trabalho. Diretamente responsável por duas formaturas. Dividida igualmente entre celebração e despedida. Não consegui comprar o presente da nona, não conseguirei ir ao enterro do ditian. O que sei é que eles não saíram da minha cabeça esses dias.


E se vou colocar como prioridade o meu trabalho é porque seguirei o exemplo dos dois. Vou pegar na enxada como a vó na plantação de algodão até criar bolhas nas mãos e vou rezar pra tudo fique bem com as mãos bem juntinhas como aprendi com o ditian na despedida da Teredinha.


O final, nesses dias em que me faltam palavras, pra variar, fica com o Rubem Alves:

“Meus sentimentos mudaram. A morte não mais me causa medo. O que ela me dá é uma imensa tristeza. Muitos, muitos anos atrás, quando minha filha Raquel não tinha mais que três anos – eu ainda estava dormindo-, ela me acordou com uma pergunta que eu nunca ouvira, uma pergunta de tal densidade poético-metafísca que tive a impressão de estar ouvindo uma voz vinda de séculos de sabedoria e não de uma menininha que começava a viver: ‘Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?’ Ante o meu espanto sem palavras, ela acrescentou: ‘Mas não chore não. Eu vou te abraçar...” Ela entendera que a dor da morte não é a dor do medo. É a dor da saudade.”


E o vídeo da véia vó cantando, desejando que um dia os dois se encontrem no céu e possam conversar sentados num coreto qualquer...

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